E Passara ali por acaso. Olhava pro chão cabisbaixo como quem não queria nada. Não notara e nem gostava de notar ninguém. Só que mais adiante, como uma loucura do destino, fazera ele notar desta vez. Era um caminho bobo. Estava tão crente de que nada de surpreendente aconteceria. Algo como vivera quase todos os seus dias.
À beira da esquina ouvia murmuros de meninas. Daquela vez, como quem não queria nada resolveu erguer aquele queixo tão inclinado para o pescoço. Parou. Que frio e calor era aquele ? Admirava-a. Como estava linda... Uma gota de suor descia o peito ritmada pela batida forte de seu coração enquanto vinha lembraças gostosas de um passado recente. Quando aqueles lábios se faziam em sua mente naquele beijo úmido. Quando aqueles susurros de amor tão perto dos ouvidos lhe tiravam a noção. Quando aquele sorriso... aquele sorriso... Que o fazia se perder no tempo.
Suspirou pra voltar daquela viagem. Enfim. Virou a cabeça e seguiu seu caminho. Ainda assim não deixou de pensar consigo. Sua sensualidade estava mais exaltada em suas curvas. Seus lábios pareciam procurar contorno perfeito. Sorriu.
Como estava linda...
1 comentários:
- At 7 de janeiro de 2008 às 04:53 Lana. said...
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Amor de cinema. Não existe amor de cinema, tudo é editado e nós só vemos os momentos lindos e ,portanto, invejáveis. A natureza do ser humano não permite que nada seja perfeito, somos seres feios, defeituosos, frágeis, carentes, inseguros e miseráveis. Sentimos uma inefável necessidade pelo que chamamos de cumplicidade, companherismo, por isso nos moldamos de forma a encaixar em outro ser para afastar a solidão, para nos convencermos de que pertencemos a alguém, mas na verdade somos seres solitários e carentes de atenção, carinho, e desejo. Por mais que alguém queira acreditar que encontrou um amor para a vida inteira, na verdade resolveu esconder sua natureza para gozar de uma vida tranquila. A sociedade moderna baseou o amor em um modelo que só é atingível por pinguins, e ignorou a natureza humana, aquela que tem desejos, comete erros, imperfeita, deficiente e egoísta.
O ideal de amor que temos na realidade não existe, o que existe é o medo de ficar sozinho nessa sociedade, de carecer de pele, atenção, emoção, dor.
Adorei o texto, todos temos desejos, e estes geram emoções que não são fáceis de serem narradas, mas você conseguiu com lirismo e simplicidade.Um abraço.
